Casa Bentes

Ficha Técnica

Autores: Brunno Vilela, Guilherme Araujo, Pedro Grilo

Fotografias:Joana França

Equipe: Letícia Pacheco, Lara Pita, Mariana Freitas

Fotografias:Joana França

Paisagismo: Quinta

Estrutura: A4 engenharia

Instalações: A4 engenharia

Projeto Luminotécnico: TC iluminação

Área Terreno: 700.0 m²

Área do Projeto: 366 m²

Ano de Construção: 2014

A Casa Bentes foi concebida sob as premissas de uma arquitetura moderna, com ambientes vastos e unificados à natureza, promovendo uma convivência dinâmica e rica em elementos da cultura regional. O projeto teve como objetivo criar um refúgio para uma família paraense em fase de crescimento. Situada em um loteamento bem estruturado e densamente habitado, a moradia buscou se adaptar às condições climáticas e ao cenário local, aproveitando simultaneamente o panorama privilegiado de um vale posicionado ao norte.

O conceito estrutural adotado para esta habitação tira partido das regras urbanísticas vigentes para maximizar o uso do terreno e integrar a edificação ao cenário da via pública. No conjunto residencial, o recuo de face com 5m não admite cercamentos, o que resulta em um ambiente de rua aprazível e seguro, onde as fachadas são evidentes e socialmente conectadas. Contudo, ao analisar a área, notou-se a frequente exposição de abrigos de carros e automóveis na frente dos lotes. Para contornar esse aspecto e aproximar o fluxo de veículos do setor de serviços, decidiu-se posicionar a garagem na parte central do terreno, com entrada pelo corredor lateral direito. Dessa forma, situada junto ao complexo de lazer, a garagem torna-se um local de uso prático cotidiano, mas com função flexível para eventos sociais.

A preferência pela face sudeste para os dormitórios, no andar superior, determinou a reserva do recuo lateral de 3,3m para a circulação de carros à direita, enquanto o lado esquerdo não possui recuos, encostando a construção na divisa no primeiro nível. Esse corredor lateral organizou a setorização das funções em um corpo linear no térreo, que percorre quase toda a profundidade de 40m do lote. Ali estão dispostos, a partir do hall, o escritório ou quarto de visitas, o sanitário acessível, a cozinha — estabelecida como o eixo funcional da moradia — vinculada ao espaço gourmet e à lavanderia, além da garagem e de uma construção anexa independente que abriga o banheiro social, um depósito e o quarto de serviço.

Em oposição a essa linha, o bloco superior está assentado de forma perpendicular, resultando em uma configuração em "T". Nessa ala da residência, voltada do sudoeste (frente) para o nordeste (fundos), concentram-se as áreas de convívio interno — salas de jantar, estar e cinema — no nível da rua, e o dormitório principal no andar de cima. Para estabelecer um contraste de formas entre os dois setores e ampliar a percepção de unidade, o intervalo central da moradia apresenta pé-direito duplo, estendendo-se da entrada principal até o lazer nos fundos. Esse vão atua como um elemento de ordenação, pois baliza o trajeto interno, e de orientação, visto que pode ser observado de qualquer ponto da casa.

A diretriz de continuidade espacial foi associada à integração entre os ambientes cobertos e as áreas externas da propriedade. Para concretizar isso, os jardins foram segmentados em três proporções com diferentes usos. Na entrada, um pátio com redário funciona como uma sala de estar ao ar livre, porém com maior privacidade por ser contornada pela própria estrutura e por uma parede viva — uma espécie de biombo vegetal adornado com vasos que remetem à estética marajoara. Na parte posterior, a zona de recreação, mais vasta e comunitária, conecta-se visualmente ao deck superior — cobertura do volume linear, de uso comum dos quartos, de onde se tem a melhor perspectiva do vale que circunda o condomínio. Para potencializar esse cenário, a extremidade traseira da construção inclina-se sutilmente, buscando um alinhamento com o horizonte e uma íntima relação com o relevo do entorno.

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