Casa Holambra

Ficha Técnica

O projeto situa-se em um generoso lote de mil metros quadrados no município de Jaguariúna e nasce do desejo de acolher um casal em fase de aposentadoria. A proposta busca na arquitetura brasiliense a inspiração para uma vida integrada à natureza, onde a acessibilidade plena e o conforto térmico são os eixos que guiam a experiência de morar. O partido arquitetônico organiza-se de maneira a abraçar tanto o convívio social quanto o silêncio necessário ao trabalho, reservando acessos independentes para o consultório e o estúdio de artes. Esse desenho permite que a rotina profissional pulse em harmonia com a vida doméstica, enquanto um eixo linear percorre toda a casa e conduz o olhar diretamente para a linha do horizonte na face sudeste, onde a vista é mais generosa.

A concepção da residência fundamenta-se na estrutura aparente de concreto armado, regida por uma malha modular rigorosa de oitenta por oitenta centímetros que coordena a posição dos pilares circulares e das vedações. O sistema de coberturas revela o cuidado com o clima e o meio ambiente ao utilizar dois níveis de lajes ortogonais com propósitos distintos. Uma laje superior técnica abriga o telhado verde, responsável pelo frescor dos ambientes e pelo recolhimento das águas da chuva, enquanto uma laje fita secundária atravessa o projeto como um elemento de costura. Essa fita de concreto organiza a entrada de luz e a ventilação natural, ao mesmo tempo em que o suave declive do terreno é aproveitado para acomodar cisternas que garantem o reuso inteligente dos recursos hídricos.

A linguagem estética da casa celebra o contraste entre a rigidez dos elementos horizontais de concreto e a suavidade das paredes de alvenaria em tijolo ecológico aparente. Enquanto a estrutura mantém o compromisso com a ordem modular, as vedações ganham liberdade e desenham formas fluidas que parecem moldadas pelo movimento da vida. Essa dualidade se manifesta de forma acolhedora na laje fita, que assume o papel de verga nas partes altas e se transforma em bancadas ou assentos fixos ao tocar as áreas de permanência. Na fachada frontal, a união das fitas com a alvenaria compõe um portal de entrada que estabelece uma transição gradual entre o que é público e o que é privado. Esse portal não se fecha para a rua, mas convida o transeunte a descobrir o espaço de forma gentil, guiando o caminho através das lajotas azuis que repousam sobre o horizonte contínuo do piso em tecnocimento.

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